Cafeinado | pandemia | 03 jul 2020 - 12:11

Recorde de mortes por covid-19 no PR demonstra que quarentena é necessária

De: luizfernando

A onda de abertura das atividades econômicas, com o fim de medidas restritivas antes mesmo de superado o pico da pandemia, cobra agora sua “fatura” no Paraná – que até então era um dos Estados “modelo” no combate à covid-19. E em se tratando do novo corovanírus, essa fatura é cobrada com a perda de vidas.

De acordo com o boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), divulgado nesta quinta (2), o Paraná registrou em 24 horas recordes de novos casos (+2.060) e de mortes pela covid-19 (+44). No total, já foram registrados 26.024 casos e 693 óbitos no Estado. O vírus já chegou a 90% dos 399 municípios paranaenses.

Governador do Paraná, Ratinho Junior – Foto: AEN

Quarentena

É nesse preocupante cenário que se deu a decisão do governador Ratinho Junior (PSD) e da equipe técnica que o assessora de decretar quarentena nas sete regionais de saúde onde a situação é mais grave, com maior índice de contágio e alta taxa de ocupação dos leitos de UTI para pacientes com a covid-19. Sem as medidas restritivas, a situação no Paraná pode desandar para o caos vivido em outros Estados.

Economia

Ratinho Junior poderia ter tomado essa decisão antes? Sim, mas com severas consequências. A escolha de quais atividades fechar, onde e quando decretar medidas mais restritivas é uma decisão bastante delicada. Nos setores que mais padecem com a crise, uma nova rodada de isolamento social pode significar a sepultura de muitos negócios. É uma linha tênue entre a vida e o emprego.

CPF x CPNJ

É aí que entra o Estado. Se o CPF não pode valer menos que o CNPJ – sob o argumento de que empresas podem se reeguer e empregos podem ser gerados novamente, mas só se pode morrer uma vez – os governos precisam agir para dar garantias aos setores mais prejudicados. Não dá para simplesmente abrir as portas e fingir que o vírus não está aí, matando aos montes. Também não dá para largar as empresas, que geram empregos, à própria sorte.

Dificuldade

Para piorar, os governadores têm encontrado pouquíssimo suporte de um governo federal inerte e totalmente despreparado para enfrentar a maior crise humanitária em cem anos. Antes de o bolsonarista assíduo reclamar da crítica, uma pergunta: quando é que o Brasil ficou sem ministros da Educação e da Saúde ao mesmo tempo? Na gestão de Jair Bolsonaro (sem partido) viramos motivo de piada no exterior.

Charge

 

* CAFEINADO é uma coluna assinada pelo jornalista Luiz Fernando Cardoso. É publicada diariamente no blog Café com Jornalista e em sites parceiros, como o R11.

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