Cafeinado | Eleição nos EUA | 05 nov 2020 - 21:35

Autodeclaração de vitória do quase ex-presidente Trump é um ultraje à democracia

De: luizfernando

Eram 2h20 da madrugada de  em Washington (4h20 no horário de Brasília), quando Donald Trump (Partido Republicano) fez seu discurso da vitória, como se já tivesse sido matematicamente reeleito. A postura do atual presidente deixou perplexos os apresentadores da CNN (onde este jornalista acompanhava a apuração).

Na eleição presidencial dos EUA, vence quem obtiver o mínimo de 270 delegados – sendo cada Estado um colégio eleitoral. Então, é inconcevível qualquer comemoração antes dessa marca ter sido alcançada. No momento do discurso de Trump, Joe Biden (Partido Democrata) liderava com 220 delegados, contra 213 de Trump; e a disputa seguia indefinida em vários Estados.

Discurso de Trump na Casa Branca

Discurso de Trump na Casa Branca

Ultrajante

Trump pressupôs que a vitória seria certa na maioria dos Estados restantes, onde a apuração dos votos prossegue. Para piorar, o presidente disse que iria à Justiça para interromper a contagem dos votos. Uma insanidade desmedida. Democratas – e também os jornalistas – consideraram a postura do presidente como um ultraje à democracia norte-americana.

Atualização

Ao se declarar vencedor, Trump deixou transparecer o medo de “ser demitido do cargo” pelos eleitores. Um medo pertinente. Às 10 horas de quarta (4), Biden havia aumentado a vantagem contra Trump, com 238 delegados contra 213 do presidente. Nesta quinta (5), Biden está muito próximo de ser declarado presidente dos EUA – para desespero de Trump, que tem espalhado inverdades no Twitter sobre a apuração dos votos.

Vai entender

Em comentário na Rádio CBN, Dan Stulbach disse que é difícil compreender o eleitor que vota em alguém que não condena os ataques praticados pelos supremacistas brancos (Trump não condena). Estou de acordo. Igualmente difícil é saber que Estados com grande número de eleitores hispânicos e negros deram vitória a Trump.

Apuração

Nesta que é considerada uma das eleições mais importantes da história dos Estados Unidos, a disputa acirrada, voto a voto, tardaria a apontar um vencedor. É por isso que o resultado ainda não saiu. Além de a contagem ser manual (não há o voto eletrônico nos EUA), há a votação pelos correios, o que atrasa ainda mais a apuração.

 

* CAFEINADO é uma coluna assinada pelo jornalista Luiz Fernando Cardoso. É publicada no blog Café com Jornalista e em sites parceiros, como o R11.

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